Foi apresentado ontem o E-Bus, primeiro ônibus elétrico brasileiro movido 100% a baterias, sem necessidade de abastecimento a diesel. O veículo será testado no trecho do Corredor ABD entre Diadema e Brooklin e começará a circular ainda neste mês, sem passageiros. O equipamento será incluído na operação regular de janeiro a junho, quando a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) fará avaliação de desempenho.

Para receber carga completa – que dá autonomia de aproximadamente 200 quilômetros – a bateria precisa ser conectada na tomada por quatro horas. Outras recargas rápidas, de apenas quatro minutos, poderão ser feitas ao longo do dia no Terminal Diadema e permitem ao veículo percorrer mais 11 quilômetros.

A bateria foi fornecida pela Mitsubishi Heavy Industries e a tecnologia para transmissão da energia gerada para o motor foi desenvolvida pela Eletra. Até o ano que vem, outros 30 coletivos deverão ser adaptados com o sistema para circular no corredor. Não houve gastos por parte do Estado, já que cada uma das empresas envolvidas forneceu parte do material.

Para o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, a vantagem do modelo é o fato de não ser necessária a existência de catenária – rede aérea de fios de eletricidade. “A ideia fundamental é eliminar, cada vez mais, a catenária. Não é só uma questão estética, mas dá pouca flexibilidade ao veículo em caso de problema no viário, como um acidente”, explica. Isso porque a autonomia do trólebus convencional é curta, fazendo com que o coletivo fique dependente da ligação com a rede.

Fernandes avalia que a extinção dos cabos aéreos é uma tendência a longo prazo. “Essa incorporação não vai se dar de uma hora para outra. Se demorar dez anos, vai amortizando o outro capital. E você pode fazer reaproveitamento das subestações (retificadoras de energia) em outras áreas”, comenta, ao justificar o investimento de R$ 36 milhões para repotencialização do Corredor ABD.

A gerente comercial da Eletra, Ieda Maria Oliveira, salienta que não há risco de a bateria descarregar no meio do trajeto. “Ela é totalmente gerenciada eletronicamente. O motorista, no painel, tem todo o alerta de quanto tempo tem e quanto falta para acabar.” Um dos destaques é o aproveitamento da energia desperdiçada na frenagem, que volta a ser disponível para uso.