A coluna da semana passada foi sobre organização pessoal. Mostrei como fazer um planejamento para deixar a rotina em dia de forma mais objetiva e definitiva – afinal, já é quase Ano Novo! Esse assunto instigou alguns leitores, que me mandaram emails com questionamentos e comentários curiosos. Alguns, inclusive, semelhantes entre si. Aqui estão alguns deles:

– Como faço para me organizar melhor se moro com pessoas bagunceiras?
– Eu até tento me organizar, mas meu marido e filhos não colaboram.
– Esperei ansiosamente por minhas férias para começar a organização, mas ninguém deu a menor importância para isso e tive que fazer tudo sozinha.
– Como faço para que meus filhos adolescentes me ajudem a manter a casa em ordem?

Percebi que essas pessoas têm os mesmos problemas: falta de colaboração dos outros moradores para deixar a casa em ordem ou dificuldade de começar a organização, necessitando de um marco específico para esse ponto de partida (no caso da leitora ali de cima, as férias).

Resolvi, então, abordar esses temas tão relevantes: a cooperação e a interdependência. De fato, ter apoio é determinante para garantir uma rotina mais leve e agradável – organizar tudo e não ter a colaboração de pessoas próximas pode ser frustrante. Contudo, pequenas atitudes podem ajudá-lo a melhorar muito a organização na casa ou no trabalho e, consequentemente, o convívio com familiares ou colegas.

Em primeiro lugar, nada de ficar o tempo todo reclamando ou solicitando reconhecimento pelas suas ações e a participação das pessoas nas tarefas. Essa atitude, além de ser extremamente desgastante, pode fazer com que você seja visto como o “chato de plantão”. Para que funcionem, parcerias precisam ser conquistadas. Só assim conseguiremos atingir nossos objetivos.

Sendo assim, seja flexível e evite ao máximo a dependência nesse inicio, pois ela pode causar angústia e insatisfação. Dependa, exclusivamente, de você e de sua boa vontade. Com o tempo, todos irão aderir a essa forma fascinante de se viver!

Você se lembra de que uma das dicas da semana passada era aproveitar a hora do trânsito para relaxar ouvindo suas músicas favoritas? Conforme combinamos, você deveria colocar data e hora para selecioná-las. Contudo, se você não sabe fazer as gravações (em CD’s, por exemplo), acaba dependendo de alguém que entende de computadores. Caso essa pessoa não possa lhe ajudar no momento em que você gostaria, você poderá ficar frustrado por não conseguir concluir a tarefa e desmotivado para continuar o planejamento. E é a essa dependência que me refiro. Que tal, portanto, mudar a tarefa para “gravar minhas músicas favoritas em um pendrive”, já que você sabe como fazer isso? Ou, por que não verificar com esse seu amigo que entende de computadores quando ele poderia lhe ajudar para, só depois, estipular data e hora para cumprir a tarefa?

A organização com crianças funciona de forma semelhante: você arruma o armário dos filhos com muito carinho e, depois de uma semana, já está tudo um verdadeiro caos e você, novamente frustrado. Pois bem, é hora de resolvermos de forma duradoura essas e outras questões de âmbito coletivo.

Vou compartilhar com você uma experiência no trabalho que me chamou muito a atenção pela riqueza de situações distintas. Certa vez, fui contatada por uma mãe para organizar sua casa, que estava realmente precisando de um pouco mais de ordem e suavidade. A maior preocupação dela, contudo, era investir no trabalho e, depois, ver seus três filhos adolescentes bagunçarem tudo. Deixei-a bastante segura e confiante em meu feeling – disse que era impossível alguém bagunçar uma organização profissional bem feita e planejada.

 

organização de armário-camisas de futebol

Para colocar ordem nos cômodos, observei qual era a principal paixão de cada um dos filhos – visível pela quantidade de determinados objetos que possuíam.  Organizei tudo de forma prática e deslumbrante, de acordo com cada preferência. O primogênito, por exemplo, na ocasião com 19 anos, era apaixonado por futebol. Colecionava camisetas de todos os times do mundo, que estavam todas bem amassadas em uma gaveta pequena. Resolvi colocá-las em cabides de forma ordenada. Concluído o trabalho, ele podia abrir a porta principal do armário que lá estavam todas, impecavelmente bem dispostas e organizadas. E, mais gratificante ainda, após a organização, ele não deixava ninguém arrumar o móvel – era ele quem mantinha tudo em ordem (não queria que misturassem as camisetas de times da Europa com times da América, por exemplo).

 

organização de armário-lembranças de viagem

Já o filho do meio colecionava lembranças de viagens, que estavam todas em caixinhas de papelão escondidas no maleiro. Escolhi uma prateleira do móvel e lá coloquei todas, limpas e visíveis. Agora, depois de cada viagem, ele mesmo as dispõe no lugar que definimos.

organização de armário-brinquedos

O filho mais novo, por sua vez, era apaixonado por Legos e reclamava muito que a funcionária da casa, ao tirar pó, desmontava e desarrumava suas coleções. Organizei todos de forma que ficassem montados e em caixas transparentes, para que ele pudesse vê-los e acessá-los com facilidade, sem que ficassem empoeirados.  O resultado? Ele virou defensor da organização.

Já o marido era professor. Para o trabalho, gostava de usar calça jeans e camiseta. Ironicamente, contudo, mantinha no armário as camisas sociais e os ternos em cabides, mas suas camisetas, dobradas.  Para solucionar essa questão, dobrei as camisas e utilizei o espaço dos cabides para as peças que ele realmente usava. Ele gostou tanto da ideia que foi quem mais elogiou o trabalho.

Estou convicta que esses exemplos, ricos em particularidades, vão ajudar você a envolver todos (sejam parentes ou colegas de trabalho) em seu processo de mais organização e bem-estar. Arrumar é maravilhoso e nos concede a possibilidade de por a cabeça em ordem. Acrescente em sua organização presença, carinho e sensibilidade.

Uma semana impecável a todos e até quinta que vem!

Fonte: Revista Pense Imóveis